Suicídio não é escolha, é sofrimento – Vamos falar sobre isso?

Dr. Claudio JerônimoPsiquiatra especialista em transtornos mentais

Chegamos ao mês de setembro e com ele à Campanha de Prevenção ao Suicídio – Setembro Amarelo realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O tema deste ano é: Se precisar, peça ajuda!

Mais do que incentivar a busca por apoio, é fundamental estarmos atentos aos sinais de risco em amigos, familiares e colegas de trabalho. Nem sempre quem está em desespero encontra coragem para pedir ajuda. Muitas vezes, a dor é tão profunda que quem pensa em desistir de tudo não consegue transformar o sofrimento em pedido de socorro.

Se até aqueles que respiram esperança enfrentam batalhas invisíveis, imagine a dor de quem já não sente mais encanto em viver.

Algumas situações aumentam a vulnerabilidade ao suicídio e merecem atenção especial.

Fatores de risco:
– Transtornos mentais: depressão, transtorno bipolar, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno de personalidade borderline e abuso de substâncias psicoativas.
– Doenças crônicas: enfermidades graves e incapacitantes podem gerar sentimentos de desesperança.
– Histórico familiar de suicídio: aumenta a probabilidade de repetição entre pessoas próximas.
– Eventos de vida adversos: perdas, problemas financeiros, violência doméstica ou bullying.
– Isolamento social: fragiliza a rede de apoio e aumenta a solidão.
– Falta de acesso a tratamento: agrava o sofrimento e reduz as chances de recuperação.

Sinais de alerta: reconhecer os sinais pode salvar vidas, esteja atento a:
– Mudanças bruscas de humor.
– Frases de desesperança ou sobre “não querer mais viver”.
– Isolamento repentino da família e amigos.
– Alterações no sono ou no apetite.
– Descuido com a higiene e aparência.
– Despedidas indiretas, como “vocês vão ficar melhor sem mim”.

Assim como há riscos, existem condições que fortalecem a prevenção, são os fatores de proteção:
– Rede de apoio social e familiar.
– Acesso a tratamento adequado.
– Práticas de autocuidado, como atividade física e hobbies.
– Espiritualidade e fé, que oferecem sentido e esperança.
– Relacionamentos saudáveis e vínculos afetivos.

Como ajudar alguém em sofrimento?
Se você perceber que alguém próximo pode estar em risco, é importante agir:

– Escute sem julgamentos, demonstrando empatia e acolhimento.
– Não minimize o sofrimento com frases como “isso é frescura” ou “vai passar”.
– Incentive a busca por ajuda profissional.
– Ofereça companhia em momentos difíceis.
– Em casos de emergência, ligue 192 (SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Reflexão final
O Setembro Amarelo é um convite para cuidarmos uns dos outros. Sêneca, filósofo da Roma Antiga, já dizia: “Às vezes, até viver é um ato de coragem”.
Falar sobre saúde mental salva vidas e, se precisar de apoio, o psiquiatra Dr. Cláudio Jerônimo está à disposição para ajudar a encontrar caminhos de esperança.

*Adriana Moraes – Psicóloga especialista em Saúde Mental e Dependência Química