Qual é o papel da nostalgia na tristeza de fim de ano?
Dr. Claudio JerônimoPsiquiatra especialista em transtornos mentais
Maria, uma mulher de 45 anos, casada e com duas filhas adolescentes, busca ajuda devido a uma intensa tristeza e saudade, especialmente durante o período de fim de ano. Essa sensação de nostalgia a impede de aproveitar o presente momento e a faz reviver constantemente momentos felizes do passado.
Desde a adolescência, Maria sempre foi uma pessoa sentimental e com forte apego às lembranças. Nos últimos anos, essa característica se intensificou, tornando-se especialmente evidente durante as festas de fim de ano. Ela idealiza o passado e sente que os melhores momentos de sua vida já passaram.
Além da tristeza profunda, Maria apresenta dificuldade para dormir, perda de apetite, dificuldade de concentração e um olhar melancólico ao falar sobre o passado. Ela também demonstra dificuldade em aceitar as mudanças e tem medo do futuro.
O fim de ano costuma ser um período marcado por reflexões e emoções intensas. Assim como Maria, muitos de nós vivenciamos um turbilhão de emoções nessa época do ano, é um momento em que memórias do passado afloram, trazendo à tona sentimentos que variam entre alegria e tristeza. A nostalgia, nesse contexto, exerce um papel central: ela nos conecta às experiências vividas, às pessoas que marcaram nossas vidas e até mesmo aos sonhos que, por algum motivo, ficaram pelo caminho.
Por um lado, as lembranças podem ser reconfortantes, permitindo que relembremos momentos felizes e nos sintamos gratos pelas boas lembranças. Por outro lado, elas podem despertar um sentimento de insatisfação, especialmente quando comparamos o passado idealizado com o presente.
Essa ambivalência pode intensificar a chamada “tristeza de fim de ano”. A dor de perder pessoas queridas, de não ter alcançado determinadas metas ou a simples nostalgia pelo passado podem ser gatilhos para sentimentos de tristeza profunda. É fundamental lembrar que, embora essa tristeza seja comum, ela não deve ser ignorada. Em alguns casos, pode ser um sinal de que é necessário buscar ajuda profissional.
Quando a nostalgia pode virar um alerta?
A nostalgia em si não é prejudicial, mas, se combinada a fatores como isolamento, baixa autoestima ou sentimentos de inutilidade, pode contribuir para o desenvolvimento de sintomas depressivos. Entre os sinais de alerta estão:
- Sentimento persistente de tristeza ou vazio;
- Dificuldade em encontrar prazer nas atividades diárias;
- Alterações no apetite ou no sono;
- Sensação de culpa ou inutilidade desproporcional;
- Falta de energia e motivação.
A intensidade e a duração desses sentimentos, somadas aos outros sintomas apresentados, indicam que a nostalgia excessiva pode estar se transformando em um quadro depressivo. A tristeza de fim de ano, se não tratada, pode se tornar mais profunda e prolongada, especialmente para pessoas que já possuem predisposição à depressão.
Como lidar com a nostalgia no fim do ano?
- Acolha os sentimentos: permita-se sentir e validar suas emoções, sejam elas de saudade, tristeza ou gratidão;
- Conecte-se com o presente: embora as memórias sejam importantes, lembre-se de criar momentos significativos no presente. Pequenas ações, como reunir-se com amigos ou praticar um hobby, podem fazer diferença;
- Cultive a gratidão: focar no que foi positivo ao longo do ano pode trazer uma nova perspectiva;
- Procure apoio: compartilhar suas reflexões com pessoas de confiança ou mesmo com um terapeuta pode aliviar o peso das emoções.
Sentir saudade é parte da experiência humana, mas é essencial que a nostalgia não nos aprisione no passado, impedindo-nos de aproveitar as oportunidades do presente. O fim de ano, apesar de suas melancolias, pode ser uma oportunidade de renovação, desde que saibamos olhar para o passado com carinho e para o futuro com esperança.
O caso de Maria destaca a importância de reconhecer a saudade excessiva como um fator desencadeante de sofrimento emocional e a necessidade de um tratamento adequado para auxiliar as pessoas a lidar com essa emoção de forma mais saudável.
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Texto escrito por Adriana Moraes – Psicóloga especialista em Saúde Mental e Dependência Química
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INFORMAÇÕES DO AUTOR:
Dr. Claudio Jerônimo Psiquiatra especialista em transtornos mentaisFormado em Medicina pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, o Dr. Cláudio Jerônimo da Silva possui residência médica em Psiquiatria pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.
Registro CRM-SP nº 83201.