O Amor Patológico e a Dependência Emocional

Dr. Claudio JerônimoPsiquiatra especialista em transtornos mentais

 

O amor, quando saudável, é fonte de bem-estar e equilíbrio. No entanto, quando se torna obsessivo e dominador, pode se transformar em uma verdadeira prisão emocional. O amor patológico é uma condição caracterizada por uma dependência excessiva do outro, levando a comportamentos autodestrutivos e grande sofrimento psicológico.

A pessoa que sofre dessa condição coloca o parceiro no centro de sua existência, anulando-se completamente. O medo da rejeição, o ciúme intenso e a necessidade constante de controle fazem com que esse amor deixe de ser uma escolha e passe a ser uma compulsão. Como descreve a canção de Roberto Carlos:

“Me perdi de tanto, ah, eu enlouqueci
Ninguém podia amar assim
E eu amei e devo confessar
Aí foi que eu errei”

Esses versos traduzem a essência do amor patológico: a entrega desmedida, a perda da identidade e a sensação de que amar tanto foi um erro. Esse tipo de amor se assemelha a uma dependência química, pois provoca sintomas de abstinência, ansiedade extrema e um desejo incontrolável de proximidade com o outro, mesmo quando o relacionamento é destrutivo.

Jean-Paul Sartre, em sua filosofia existencialista, discute como a dependência emocional pode ser uma forma de má-fé, ou seja, uma negação da própria liberdade e autenticidade em nome do outro. Para Sartre, o amor pode se tornar uma tentativa de possuir o outro completamente, o que inevitavelmente leva ao sofrimento. Quando alguém deposita toda a sua existência no parceiro, perde a autonomia e se torna prisioneiro de uma relação baseada no medo e na insegurança.

Sinais de que o amor se tornou patológico:

– Necessidade constante de validação: A pessoa busca incessantemente a aprovação do parceiro, sentindo-se insegura e ansiosa sem ela.

– Medo do abandono: O medo de perder o parceiro é tão intenso que leva a comportamentos obsessivos e controladores.

– Ciúme e possessividade: O ciúme excessivo e a necessidade de controlar o parceiro são frequentes, levando a restrições na liberdade individual e causando sofrimento emocional para ambos.

– Abandono de si mesmo: A pessoa abre mão de seus próprios interesses, necessidades e valores para agradar o parceiro e evitar o abandono.

– Dificuldade em terminar o relacionamento: Mesmo em situações de abuso ou sofrimento, a pessoa tem dificuldade em terminar o relacionamento, sentindo-se incapaz de viver sem o parceiro.

– Oscilações de humor: A pessoa experimenta grandes variações de humor, desde euforia intensa na presença do parceiro até depressão e ansiedade na sua ausência.

– Idealização do parceiro: A pessoa enxerga o parceiro de forma idealizada, ignorando seus defeitos e minimizando os problemas do relacionamento.

– Comportamentos obsessivos: A pessoa pode apresentar comportamentos obsessivos, como verificar constantemente as redes sociais do parceiro ou monitorar seus passos.

– Isolamento social: A pessoa se afasta de amigos e familiares, dedicando todo o seu tempo e energia ao parceiro.

Excesso de Ansiedade
A ansiedade extrema na ausência de contato constante com o parceiro é um dos sinais mais marcantes do amor patológico. Essa ansiedade não é apenas uma saudade comum, mas sim um estado de angústia intensa.

Características da ansiedade:
– Intensidade desproporcional: A ansiedade é muito mais forte do que a saudade normal em um relacionamento saudável.

– Sintomas físicos: A pessoa pode sentir palpitações, sudorese, tremores, falta de ar e outros sintomas físicos de ansiedade.

– Necessidade compulsiva de contato: A pessoa sente uma necessidade urgente de entrar em contato com o parceiro, seja por telefone, mensagem ou redes sociais, para aliviar a ansiedade.

– Medo do abandono: Existe um medo constante e irracional de ser abandonado, mesmo sem motivos reais para isso.

– Dependência emocional: A pessoa se sente incapaz de levar a vida normalmente sem o contato constante do parceiro, como se sua felicidade e bem-estar dependessem exclusivamente dele.

Importância do tratamento
O amor verdadeiro deve ser livre, equilibrado e saudável. Quando um relacionamento causa sofrimento e dependência extrema, é essencial buscar ajuda.

 

A psicoterapia, especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), auxilia no fortalecimento da autoestima, no controle da ansiedade e na construção de relações mais saudáveis. Além disso, o apoio profissional e grupos de suporte são fundamentais para superar o amor patológico e desenvolver uma nova perspectiva sobre o amor e os relacionamentos.

Precisa de ajuda para lidar com o Amor Patológico e a Dependência Emocional? O Dr. Cláudio Jerônimo pode te ajudar. Entre em contato!

 

Texto escrito por Adriana Moraes – Psicóloga especialista em Saúde Mental e Dependência Química

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INFORMAÇÕES DO AUTOR:

Dr. Claudio Jerônimo Psiquiatra especialista em transtornos mentais

Formado em Medicina pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, o Dr. Cláudio Jerônimo da Silva possui residência médica em Psiquiatria pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.
Registro CRM-SP nº 83201.