III LENAD revela os efeitos do álcool e a busca por tratamento no SUS
Dr. Claudio JerônimoPsiquiatra especialista em transtornos mentaisIII LENAD revela os efeitos do álcool e a busca por tratamento no SUS
O consumo de álcool está entre as principais causas de adoecimento e morte evitáveis no Brasil. O uso frequente e em grandes quantidades aumenta o risco de doenças hepáticas, hipertensão arterial, acidentes de trânsito, violência doméstica e problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade. Além dos danos físicos, o álcool compromete relações familiares, desempenho no trabalho e qualidade de vida, gerando um impacto social e econômico profundo.
O álcool exerce um efeito duplamente reforçador: ele ativa o sistema de recompensa do cérebro, gerando sensação de prazer, e, ao mesmo tempo, reduz a atividade de circuitos cerebrais ligados a emoções negativas, como estresse, ansiedade e sofrimento emocional. Por isso, muitas pessoas bebem para “relaxar” ou “esquecer os problemas”, mas esse efeito é momentâneo e pode levar à dependência, já que o cérebro passa a associar o álcool tanto ao prazer quanto ao alívio do sofrimento.
Além disso, o álcool é um depressor do sistema nervoso central, ou seja, diminui a atividade do cérebro. Embora possa causar inicialmente sensação de euforia ou desinibição, esses efeitos são passageiros. Na prática, o álcool retarda funções cerebrais, prejudicando reflexos, coordenação motora, atenção e julgamento. Em doses maiores, pode levar a sonolência, depressão respiratória e até coma.
A importância do acesso ao tratamento
Diante desses prejuízos, cresce a importância de fortalecer a rede de atenção e ampliar o acesso ao tratamento. Dados do III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) sobre o Consumo de Álcool na População Brasileira, recentemente divulgado, mostram que entre as pessoas que já buscaram ajuda para interromper o consumo de álcool, o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) foi o serviço mais procurado, citado por 42% dos entrevistados. O resultado reforça o papel central desse equipamento como principal referência do Sistema Único de Saúde (SUS) no cuidado a pessoas com dependência de álcool e outras drogas.
Outros serviços públicos também tiveram participação expressiva na busca por ajuda, como as Comunidades Terapêuticas (40,8%), as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Programas de Saúde da Família (32,2%), seguidos pelos serviços de pronto atendimento (32,7%).
Os hospitais psiquiátricos públicos (25,1%) e os hospitais gerais (14,7%) foram menos mencionados, enquanto policlínicas e centros de especialidades (9,3%) e universidades com programas de atendimento ao público (6,0%) apareceram com menor frequência.

Recuperação é possível
Apesar dos desafios, é fundamental lembrar que a recuperação é possível. O acesso ao tratamento adequado, o apoio familiar e social e a continuidade do cuidado fazem toda a diferença para quem busca retomar o equilíbrio e reconstruir a vida.
Se o consumo de álcool tem causado dificuldades na sua vida, busque ajuda. O psiquiatra Dr. Cláudio Jerônimo pode oferecer o suporte especializado que você precisa.
Fonte:
Caderno Temático – Resultados Consumo de Álcool na População Brasileira. São Paulo: UNIFESP, 2025. Link: https://lenad.uniad.org.br/cadernos-lenad/alcool_vf2-161025.pdf
*Adriana Moraes – Psicóloga especialista em Saúde Mental e Dependência Química
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INFORMAÇÕES DO AUTOR:
Dr. Claudio Jerônimo Psiquiatra especialista em transtornos mentaisFormado em Medicina pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, o Dr. Cláudio Jerônimo da Silva possui residência médica em Psiquiatria pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.
Registro CRM-SP nº 83201.