Ansiedade no início do ano: expectativas, pressões e como lidar de forma saudável

Dr. Claudio JerônimoPsiquiatra especialista em transtornos mentais

Ansiedade no início do ano: expectativas, pressões e como lidar de forma saudável

O início do ano marca um novo ciclo e costuma trazer novos planos, metas e expectativas. Mas, para muitas pessoas, especialmente aquelas que convivem com a ansiedade, esse período não chega apenas com esperança: ele também pode trazer medo do futuro, autocobrança e a sensação de não estar preparado para tudo o que vem pela frente. Essa mistura de expectativas e pressões pode gerar um peso emocional difícil de administrar sozinho.  

 
Além disso, mudanças de rotina, interrupções no descanso e a pressão por “começar o ano funcionando” podem sensibilizar o corpo. Quando isso acontece, o organismo tende a entrar em um estado prolongado de alerta, ativando circuitos como o eixo HPA e aumentando a atividade da amígdala, região que processa emoções e ameaças. Esse estado biológico de “hipervigilância” favorece o aumento da ansiedade logo no início do ano.

O processamento da ansiedade envolve múltiplas áreas cerebrais relacionadas ao estresse, sendo a amígdala e o córtex pré-frontal as principais. A amígdala é ativada diante de estímulos percebidos como ameaçadores, mesmo quando não representam um perigo real. Em pessoas com transtornos de ansiedade, essa região apresenta hiperatividade, levando a respostas exageradas ao estresse. Já o córtex pré-frontal, responsável por inibir a atividade excessiva da amígdala, muitas vezes não consegue modular essas respostas de forma adequada, perpetuando o estado de alerta e a ansiedade prolongada.

Gatilhos emocionais comuns no início do ano  
Os primeiros dias do ano costumam intensificar:

– Comparações sociais, ao ver metas e conquistas dos outros;
– Autocobrança exagerada, especialmente ao tentar começar o ano “do jeito certo”;
– Medo de não dar conta, seja no trabalho, na vida pessoal ou no autocuidado;
– Ritmo diferente após as festas, que pode desregular sono, alimentação e humor.

Quando essas sensações se acumulam, o corpo reage: coração acelerado, tensão muscular, dificuldade de concentrar e pensamentos que parecem não desligar.
Técnicas de regulação emocional para começar o ano com mais calma

Algumas ações simples podem ajudar a diminuir a intensidade da ansiedade no início do ano:

– Respiração diafragmática: inspira 4 segundos, segura 2, solta em 6. Repetir por alguns minutos ajuda a reduzir o estado de alerta;
– Pausas conscientes: separar pequenos intervalos durante o dia para desacelerar, alongar, tomar água e observar o próprio corpo;
– Rotina previsível: regular sono, alimentação e horários evita picos de ansiedade e dá ao corpo uma sensação de segurança;
– Limitação de estímulos: reduzir o excesso de notícias, redes sociais e comparações protege a mente de sobrecarga.

A importância de metas realistas

Janeiro costuma criar uma falsa ideia de que tudo precisa mudar rapidamente. Mas metas inalcançáveis só aumentam a frustração.

Prefira objetivos possíveis, como:
– Ajustar pequenos hábitos, e não mudar tudo de uma vez;
– Iniciar uma atividade física leve;
– Organizar apenas o essencial;
– Reservar tempo para descanso real;
– Cuidar de um aspecto emocional por vez.

Metas simples constroem resultados consistentes.


Quando buscar ajuda especializada?
A ansiedade merece atenção quando:

– Atrapalha o sono, o trabalho ou as relações;
– Provoca crises frequentes de angústia;
– Gera pensamentos de incapacidade ou desesperança;
– Provoca sintomas físicos persistentes;
– Causa sensação de perda de controle.
Psicólogos e psiquiatras podem oferecer ferramentas fundamentais para reorganizar emoções, redefinir limites e fortalecer o bem-estar emocional. Pedir ajuda é um ato de maturidade e nunca um sinal de fraqueza.

 

Se precisar de orientação especializada, entre em contato com o psiquiatra Dr. Cláudio Jerônimo: https://psiquiatraclaudiojeronimo.com.br/contato/


Texto escrito por Adriana Moraes – Psicóloga especialista em Saúde Mental e Dependência Química

 

Fonte: 

Neurociências aplicadas à aprendizagem:estratégias para um desenvolvimento acadêmico saudável – https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1594/1458/5738