Automutilação: um tema sério agora oficializado por lei

Dr. Claudio JerônimoPsiquiatra especialista em transtornos mentais
Neste texto vamos falar sobre a automutilação, um tema delicado que precisa ser tratado com clareza e responsabilidade. Muitas pessoas, especialmente adolescentes e jovens, enfrentam esse sofrimento em silêncio, sem saber como pedir ajuda ou com medo do julgamento. Falar sobre automutilação é fundamental para aumentar a compreensão, combater o estigma e reforçar que existe tratamento, acolhimento e possibilidade de superação.

Com a sanção da Lei nº 15.199, de 8 de setembro de 2025, o Brasil estabeleceu duas datas de grande relevância para a saúde mental:
  • 10 de setembro – Dia Nacional de Prevenção do Suicídio
  • 17 de setembro – Dia Nacional de Prevenção da Automutilação
A lei prevê ações públicas de conscientização, educação e cuidado ao longo de todo o mês de setembro, reforçando que informação qualificada e acesso ao tratamento são fundamentais para salvar vidas.

Automutilação: uma realidade delicada que precisa ser falada
A automutilação, também chamada de autolesão, é o ato de ferir intencionalmente o próprio corpo como forma de lidar com emoções intensas, angústia ou dor psicológica. 
Nem sempre se trata de uma tentativa de suicídio, muitas vezes é uma expressão de sofrimento emocional que necessita de acolhimento e tratamento adequados.

Comportamentos autolesivos são intencionais, não ocorrem por acidente ou de forma inconsciente e pressupõem a intenção de causar dano físico ou psicológico a si mesmo.
Formas mais comuns:
– cortes e arranhões;
– queimaduras;
– bater em si mesmo;
– arrancar cabelos ou unhas de forma compulsiva.
Na maioria dos casos, a pessoa busca um alívio temporário para sentimentos difíceis ou tenta comunicar, por meio da dor física, dores internas que não consegue expressar verbalmente.
Por que é importante falar sobre isso?

A automutilação é um sinal de alerta de sofrimento psíquico.
Mesmo não sendo, em si, uma tentativa de suicídio, pode aumentar o risco de suicídio quando não tratada.
Falar sobre o tema ajuda a quebrar o estigma, permitindo que mais pessoas procurem ajuda sem medo ou vergonha.Reconhecer os sinais e oferecer apoio pode ser a diferença entre a dor silenciosa e a esperança de recuperação.

 

O papel da sociedade
Família, amigos e educadores devem estar atentos a mudanças de comportamento, como isolamento, uso de roupas longas para esconder ferimentos, marcas frequentes no corpo ou expressões de desesperança.
Não tente minimizar os problemas nem faça a pessoa se sentir envergonhada por ter pensamentos de autolesão. Aborde a situação com seriedade.O acolhimento deve ser feito sem julgamentos, com escuta empática e incentivo para buscar ajuda profissional.O tratamento especializado envolve psiquiatras, psicólogos e equipes multiprofissionais, que podem auxiliar na identificação das causas do sofrimento e no desenvolvimento de estratégias mais saudáveis de enfrentamento.

 
Conclusão:
Com essa lei, o tema passa a ganhar ainda mais espaço nas discussões públicas, o que ajuda a romper o silêncio e o preconceito em torno da automutilação. Falar sobre o assunto de forma aberta e responsável pode encorajar mais pessoas a reconhecerem seu sofrimento e a buscarem ajuda especializada, sem medo ou julgamento. Falar sobre automutilação é fundamental para informar, conscientizar e salvar vidas. 
 
Quanto mais cedo o sofrimento for reconhecido, maiores são as chances de oferecer cuidado, apoio e tratamento adequados.

Se precisar de ajuda, entre em contato com o psiquiatra Dr. Cláudio Jerônimo.

Fonte:
Agência Senado: Campanha Setembro Amarelo é oficializada em lei – https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025/09/09/campanha-setembro-amarelo-e-oficializada-em-lei

*Adriana Moraes – Psicóloga especialista em Saúde Mental e Dependência Química