Maconha, THC e sofrimento psíquico: um alerta necessário  

Dr. Claudio JerônimoPsiquiatra especialista em transtornos mentais


Com a crescente legalização da maconha em vários países e o aumento do consumo recreativo, muitos ainda desconhecem os riscos associados às variedades de cannabis com altos níveis de tetra-hidrocanabinol (THC), o principal composto psicoativo da planta. Embora a maconha seja frequentemente percebida como uma substância “leve”, sua potência atual é muito diferente daquela consumida há algumas décadas. E esse aumento na concentração de THC tem implicações importantes para a saúde mental.

De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2025, a cannabis foi a substância mais consumida no mundo, com aproximadamente 244 milhões de usuários em 2023, um aumento expressivo em relação aos 228 milhões em 2022. Ela lidera o ranking, superando os opioides (61 milhões), anfetaminas (30,7 milhões), cocaína (25 milhões) e ecstasy (21 milhões).

O consumo global de drogas também cresceu, passando de 292 milhões em 2022 para 316 milhões em 2023, sendo a cannabis a principal responsável por esse crescimento.

O que é o THC e por que ele causa preocupação?

O THC (tetra-hidrocanabinol) é o composto responsável pelos efeitos psicoativos da maconha, como euforia, relaxamento e alterações na percepção do tempo e do espaço. No entanto, quando consumido em doses elevadas, especialmente sem a presença do canabidiol (CBD), que tem efeitos ansiolíticos e protetores, o THC pode causar reações indesejadas, como ansiedade, desconfiança excessiva, ideias persecutórias e delírios paranoides.

Pessoas com histórico familiar de transtornos psicóticos (como esquizofrenia) ou com quadros prévios de ansiedade e traumas têm risco ainda maior de desenvolver sintomas paranoides ou desencadear crises psicóticas após o uso de cannabis potente.

O que isso significa na prática?
A ideia de que “maconha é natural e inofensiva” precisa ser revista. A qualidade da substância, a potência do THC, a frequência do uso e a vulnerabilidade individual são fatores que influenciam diretamente os efeitos da cannabis no cérebro.

Episódios de paranoia não são incomuns e podem causar grande sofrimento psíquico, isolamento social e, em muitos casos, levar à busca por atendimento emergencial em saúde mental.

Falar sobre os riscos do uso de cannabis de alta potência é uma questão de saúde pública. É importante destacar também os efeitos indesejáveis da maconha, como prejuízos à memória, atenção, motivação e, em alguns casos, o desencadeamento de quadros psiquiátricos, como ansiedade, depressão e até episódios psicóticos. Informação de qualidade pode ajudar a prevenir complicações sérias, especialmente entre adolescentes e jovens adultos, que muitas vezes experimentam a substância sem saber exatamente o que estão consumindo.

Ignorar os riscos do THC é fechar os olhos para uma realidade que já afeta milhões. A imagem da maconha como algo leve e inofensivo não resiste às evidências científicas atuais. O aumento da potência da droga, aliado ao uso despreocupado, tem causado sofrimento psíquico real, principalmente entre os mais jovens, que usam por curiosidade ou influência social, sem consciência dos efeitos no corpo e na mente.

Saúde mental em primeiro lugar: consulte o Dr. Cláudio Jerônimo
Sintomas de paranoia ou alterações mentais após o uso de maconha indicam a importância de buscar ajuda especializada em saúde mental. A intervenção precoce faz toda a diferença.

Consulte o psiquiatra Dr. Cláudio Jerônimo, especialista no acompanhamento de casos relacionados ao uso de substâncias.

Fonte:
https://www.unodc.org/cofrb/pt/noticias/2025/6/relatorio-mundial-sobre-drogas-2025-do-unodc_-instabilidade-global-agrava-custos-sociais–economicos-e-de-seguranca-do-problema-mundial-das-drogas.html

*Adriana Moraes – Psicóloga especialista em Saúde Mental e Dependência Química