Uso de cocaína no Brasil e direção sob efeito da droga: dados preocupantes do III LENAD

Dr. Claudio JerônimoPsiquiatra especialista em transtornos mentais

O terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), financiado pelo Ministério da Justiça, revela que cerca de 11,4 milhões de brasileiros com mais de 14 anos já usaram cocaína ou crack ao menos uma vez na vida, o equivalente a 6,6% da população. Em 2012, esse número era de 4,43%, evidenciando um crescimento preocupante.

A pesquisa, divulgada recentemente, também aponta que 3,8 milhões de pessoas relataram uso dessas substâncias nos últimos 12 meses, mantendo a taxa de uso recente estável em torno de 2,2%. O estudo entrevistou 16.408 pessoas em todo o país.

Os riscos de dirigir sob efeito da cocaína

Dirigir sob o efeito de substâncias psicoativas é um grave problema de saúde pública, associado a altos índices de acidentes, lesões e mortes no trânsito. Entre essas substâncias, destaca-se a cocaína, que atua como um potente estimulante do sistema nervoso central, afetando diretamente funções cerebrais essenciais para uma condução segura.

Efeitos imediatos da cocaína:
– Sensação de euforia, energia e aumento da autoconfiança;
– Aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial;
– Redução do apetite e da necessidade de sono;
– Ansiedade, paranoia e agressividade (em alguns casos).

Esses efeitos impactam negativamente a atenção, o tempo de reação, o julgamento de risco e o controle motor, habilidades fundamentais ao volante. A euforia e a autoconfiança excessiva levam muitos condutores a subestimar perigos, ultrapassar limites de velocidade e realizar manobras arriscadas. A irritabilidade, impulsividade e agressividade aumentam os riscos.

Dirigir após o uso de cocaína: dados do LENAD III

Pela primeira vez, o LENAD III investigou de forma específica o comportamento de risco relacionado a dirigir sob o efeito da cocaína.

 

Os dados revelam que 2 em cada 10 usuários já assumiram a direção após o uso da substância. 1,2% dos entrevistados relataram fazer isso com frequência.

 

O gráfico 11 do Caderno Temático sobre Cocaína e Crack na População Brasileira evidencia diferenças marcantes entre os sexos quanto ao comportamento de dirigir sob o efeito da substância.

Entre os homens usuários24,8% relataram já ter dirigido sob efeito da cocaína em alguma ocasião, sendo que 1,47% desse grupo o faz com frequência.

Entre as mulheres usuárias95,8% afirmaram nunca ter dirigido sob influência da substância; 3,5% o fizeram algumas vezes, e 0,69%, com frequência.

Esses dados reforçam a importância de estratégias de prevenção e educação, considerando o perfil de gênero dos usuários, para ampliar o alcance das ações de enfrentamento. Afinal, segurança no trânsito também é uma questão de saúde pública.

Sobre o estudo
O levantamento foi conduzido pela psicóloga e pesquisadora Dra. Clarice Sandi Madruga, com financiamento da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (SENAD). A coordenação foi do psiquiatra Dr. Ronaldo Laranjeira, em parceria com instituições comprometidas com a saúde pública e a produção de evidências científicas sobre o uso de substâncias no Brasil.

Destaca-se também a participação do Dr. Cláudio Jerônimo, psiquiatra e membro do Comitê Científico do LENAD, que colaborou ativamente na pesquisa.

Se você ou alguém próximo enfrenta dificuldades com o uso de cocaína ou outras drogas, procure ajuda especializada. O Dr. Cláudio Jerônimo está disponível para oferecer apoio profissional e cuidado especializado no tratamento da dependência química.

Fonte:
Terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD): Caderno temático cocaína e crack na população brasileira – Resultados 2023. São Paulo. Unifesp. 2025.

Baixe a revista: https://lenad.uniad.org.br/sobre-o-lenad/consumo-cocaina-e-crack/

 

Texto escrito por Adriana Moraes – Psicóloga especialista em Saúde Mental e Dependência Química