Dia Mundial da Saúde: O cuidado com a saúde mental do idoso e os riscos da depressão
Dr. Claudio JerônimoPsiquiatra especialista em transtornos mentais
No Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, é essencial refletirmos sobre o bem-estar em todas as fases da vida. Entre os temas de destaque, a saúde mental dos idosos merece atenção especial, especialmente no que se refere à depressão e ao impacto de doenças neurodegenerativas.
A depressão não faz parte do processo natural de envelhecimento, embora essa ideia tenha sido amplamente aceita no passado. No entanto, ela pode surgir em idosos devido a diversos fatores, como perdas emocionais, isolamento social e doenças crônicas. Além disso, há uma relação complexa entre a depressão e doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e o Parkinson.
Essas condições afetam o sistema nervoso central e com o avanço da idade, tornam-se mais frequentes. Estudos mostram que a depressão pode aumentar o risco de desenvolvimento dessas doenças, ao mesmo tempo em que o Alzheimer e o Parkinson frequentemente levam a quadros depressivos secundários, dificultando ainda mais o bem-estar dos pacientes.
O envelhecimento traz diversas mudanças físicas e emocionais. Embora essa fase da vida possa ser marcada por sabedoria e plenitude, também apresenta desafios que impactam diretamente a qualidade de vida.
De acordo com o Censo Demográfico de 2022, a população brasileira com 65 anos ou mais atingiu 22,2 milhões de pessoas, representando 10,9% da população total. Esse crescimento expressivo ressalta a necessidade de políticas públicas e iniciativas voltadas ao bem-estar dessa parcela da população, garantindo um envelhecimento mais saudável e digno.
Depressão na terceira idade
A depressão em idosos muitas vezes é silenciosa e pode ser confundida com sintomas naturais do envelhecimento. A perda de interesse em atividades antes prazerosas, o isolamento social, a tristeza persistente e as alterações no sono são sinais de alerta. A fadiga constante pode ser tanto uma consequência da depressão quanto um reflexo do desgaste natural do organismo ao longo dos anos.
A ausência de atividade física agrava esse quadro, pois o sedentarismo contribui para a fraqueza muscular, a piora da circulação sanguínea e o declínio da saúde mental. Exercícios regulares, mesmo que leves, ajudam a reduzir sintomas depressivos, melhoram a disposição e promovem o bem-estar geral. Caminhadas, alongamentos e atividades como dança ou hidroginástica são excelentes opções para manter o corpo ativo e fortalecer a mente.
Outro fator preocupante é a sobrecarga emocional, que pode afetar profundamente os idosos, seja pela perda de entes queridos, limitações físicas, solidão ou pelo papel de cuidador que alguns assumem dentro da família. O acúmulo dessas tensões pode agravar quadros de ansiedade e depressão, tornando essencial a busca por suporte emocional e médico.
Cuidar da saúde mental na terceira idade é essencial para garantir qualidade de vida. O apoio da família, o fortalecimento de vínculos sociais, a prática de atividades prazerosas e o acompanhamento profissional são medidas indispensáveis. Envelhecer com bem-estar não é apenas uma possibilidade, mas um direito que deve ser valorizado e promovido.
Outros desafios para a saúde do idoso
Além da depressão e da sobrecarga emocional, outras condições comuns na terceira idade merecem atenção:
– Hipertensão Arterial: Pode levar a AVC (derrame) e infarto. O controle da alimentação, a prática de exercícios e o uso adequado de medicações são fundamentais para a prevenção.
– Diabetes tipo 2: Associado ao envelhecimento e hábitos alimentares inadequados, pode causar problemas renais, neuropatias e lesões nos olhos. O monitoramento da glicose e uma dieta equilibrada são essenciais.
– Osteoporose: A perda de massa óssea aumenta o risco de fraturas. A ingestão adequada de cálcio e vitamina D, aliada à prática de atividades físicas, fortalece os ossos e previne quedas.
– Doença de Alzheimer e outras demências: O declínio cognitivo pode afetar a memória e a autonomia do idoso. O diagnóstico precoce, a estimulação mental e o apoio familiar são essenciais.
– Artrite e artrose: As dores articulares podem comprometer a mobilidade. Fisioterapia, atividade física moderada e controle do peso ajudam no alívio dos sintomas.
– Insuficiência cardíaca: O coração pode perder eficiência com o tempo, levando ao cansaço excessivo, falta de ar e inchaço. O acompanhamento médico regular e hábitos saudáveis são fundamentais.
Além dessas doenças, o isolamento social e a falta de estímulos cognitivos também afetam a saúde do idoso. Incentivar a socialização, a autonomia e o acompanhamento médico preventivo são estratégias fundamentais para um envelhecimento saudável.
No Dia Mundial da Saúde, reforçamos a importância de um olhar atento para a saúde física e mental dos idosos. Garantir acesso a cuidados de qualidade e incentivar hábitos saudáveis são medidas essenciais para promover o bem-estar e a qualidade de vida na terceira idade.
O incentivo à prática de atividades físicas, o acompanhamento profissional e o apoio familiar são fundamentais para que o idoso se sinta motivado, integrado à sociedade e com qualidade de vida.
Caso necessite de ajuda, entre em contato com o psiquiatra Dr. Cláudio Jerônimo. Cuidar da saúde mental é fundamental em todas as fases da vida!
Fontes:
Livro: Mentes Depressivas: as três dimensões da doença do século/ Ana Beatriz Barbosa Silva – 1ª edição – São Paulo: Principium, 2016.
Texto escrito por Adriana Moraes – Psicóloga especialista em Saúde Mental e Dependência Química
Preencha o formulário e agende sua consulta

INFORMAÇÕES DO AUTOR:
Dr. Claudio Jerônimo Psiquiatra especialista em transtornos mentaisFormado em Medicina pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, o Dr. Cláudio Jerônimo da Silva possui residência médica em Psiquiatria pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.
Registro CRM-SP nº 83201.